Dr. Roberto Rizzi



Doença e Tratamento
 

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Pedra de Vesicula

O fígado tem várias funções, dentre as quais a produção de bile. A bile é necessária para digerir as gorduras que ingerimos. O fígado produz 2 litros de bile por dia, em ritmo constante de produção. A bile goteja pelo canal do fígado (ducto colédoco), até desembocar no duodeno (duodeno é a primeira parte do intestino). Dessa forma o duodeno sempre tem bile para “recepcionar” uma eventual ingestão de gordura.

O canal do fígado (colédoco) tem uma ligação com um pequeno depósito chamado vesícula biliar, que armazena um pouco da quantidade da bile produzida (20 ml). Quando ingerimos uma refeição gordurosa, o duodeno “avisa” a vesícula sobre a presença de gordura. Em resposta a este aviso, a vesícula se contrai, enviando cerca de 20 ml de bile para o coledoco, o que promove uma pequena injeção extra de bile no duodeno, sincrônica à ingestão gordurosa, e isto auxilia a digestão das gorduras ingeridas.

Algumas famílias, cerca de 20 % das famílias do planeta, têm como característica genética a Preguiça da Vesícula Biliar. Nessas pessoas a vesícula biliar não se contrai por muito tempo, e assim os 20 ml de bile, que deveriam ir para o coledoco, permanecem na vesícula, onde passam por processo de desidratação, concentração e finalmente a bile começa a empedrar. É desse modo que se formam as pedras da vesícula.

As pedras da vesícula promovem sintomas e podem originar complicações.

Os sintomas mais comuns são náuseas e empachamento após refeições gordurosas.

As complicações são devidas à migração dos cálculos . Assim, se um cálculo migrar para o ponto de junção da vesícula com o coledoco, ocorre o entupimento da vesícula. Isso faz com que a vesícula se contraia, numa tentativa de se desobstruir. Instala-se, então, um quadro de dor intensa que se irradia para as costas, geralmente acompanhado de vômitos . Freqüentemente obriga o paciente a procurar um Pronto Socorro, onde recebe medicação antiespasmódica (Ex. Buscopan), que provoca o relaxamento da vesícula e permite que a pedra volte para a vesícula, o que alivia a crise . Algumas vezes o encaixe da pedra na junção da vesícula ao coledoco é tão firme, que a pedra não consegue voltar; nesse caso a cólica não passa . A vesícula entra em sofrimento, infecção e posterior perfuração com peritonite grave. Esse quadro é chamado Colecistite Aguda.

Algumas vezes estas pedras passam da vesícula para o canal do fígado (coledoco) e o entopem - nesse caso a produção de bile do fígado não consegue escoar para o duodeno. Ocorrem cólicas e a bile represada no fígado reflui para o sangue, surgindo assim a icterícia (coloração amarelada do paciente). Esse quadro é chamado Coledocolitíase.

Quando a pedra da vesícula entope o coledoco pode ocorrer também o entupimento do canal do pâncreas, causando a temível Pancreatite Aguda.

Essas 3 complicações são muito graves, têm inicio súbito, e podem até mesmo provocar a morte do paciente.

Outra complicação da vesícula que contém pedras é que nela pode surgir um Câncer, com freqüência muito maior que na vesícula normal. Trata-se de uma patologia rara porém, quase na totalidade dos casos, incurável.

Assim, se encontramos pedras na vesícula significa que ela é preguiçosa, portanto, não tem mais função. Além disso ela representa risco constante de cólica, colecistite aguda, coledocolitíase, pancreatite aguda e câncer.

Por isso é consenso que a vesícula com pedras deve ser extirpada (colecistectomia), e a técnica mais aceita para esta cirurgia é a videolaparoscopica.

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Hérnia de Hiato

Quando mastigamos um alimento ocorre a mistura deste com a saliva. Essa mistura desce até o estomago por um tubo chamado esôfago. O esôfago começa no pescoço, cruza o tórax e entra no abdômen .

No fim do esôfago existe uma válvula que permite a passagem do alimento para o estômago; Tão logo o alimento passe, esta válvula se fecha. É deste modo que o alimento misturado à saliva chega ao estômago.

O estômago é uma potente fábrica de ácido clorídrico, em forma de uma bolsa, localizado entre 2 válvulas: a válvula esofagiana (entre o esôfago e o estômago) e a válvula pilórica (entre o estômago e o duodeno).

O esôfago tem uma estrutura interna delicada, habituada apenas ao contato da saliva e da comida. O estômago, ao contrário, tem pregas resistentes, habituadas ao convívio com o ácido. Por isso a válvula do esôfago é tão importante, pois protege o esôfago do contato com o ácido clorídrico.

Quando o alimento chega ao estômago e encontra o ácido, o estômago inicia o trabalho de “betoneira”, provocando contrações que misturam a comida ao ácido. Esse trabalho continua por 2 horas e as duas válvulas permanecem fechadas . Após esse período a válvula pilórica começa a se relaxar, liberando a mistura para o duodeno. Portanto, por um período de duas horas após uma refeição, o estômago fica cheio (de comida e ácido) e mantém-se em contrações vigorosas, o que faz com que a pressão em seu interior fique muito alta.

A válvula do esôfago precisa ser muito competente para não deixar que a mistura de comida com ácido suba para o esôfago, durante a fase de contração após as refeições.

O diafragma é uma membrana muscular que separa o tórax do abdômen. Existe no diafragma um orifício por onde o esôfago passa para entrar no abdômen, chamado hiato diafragmático. Algumas pessoas nascem com esse hiato alargado e quando atingem a idade adulta, o estômago sobe por esse orifício largo em direção ao tórax. A isto chamamos Hérnia de Hiato.

A existência de hérnia de hiato provoca uma alteração na estrutura da válvula esofágica: a válvula perde eficiência, ocorrendo, então, o Refluxo Ácido Gastro-Esofageano. O ácido sobe pelo esôfago em direção à boca (principalmente nas primeiras duas horas após cada refeição), causando queimação no esôfago (azia), crises de bronquite, rouquidão e sensação de afogamento noturno (quando o suco gástrico volta até a boca).

O desconforto é sentido em todo o trajeto do esôfago, portanto, no tórax. Pode simular um infarto cardíaco, elevar a freqüência cardíaca ou induzir uma crise asmática. Mas esses sintomas não representam o verdadeiro perigo dessa patologia. O grande problema é que o esôfago que é queimado pelo acido gástrico diariamente, desenvolve a esofagite crônica, que pode evoluir para o câncer de esôfago, de difícil tratamento.

O tratamento da Hérnia de Hiato é a principio clínico, com boa chance de cura: consiste, basicamente, em emagrecer e ter dieta regrada.

Se o tratamento clínico não proporcionar melhora da Esofagite de Refluxo devemos, então, optar pelo tratamento cirúrgico, através do qual se fecha o hiato alargado e se reforça a válvula esofágica.

Sempre que houver indicação cirúrgica, é consenso que seja feita por videolaparoscopia.

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Hérnia Inguinal

O abdômen é uma caixa que contém fígado, estômago, baço, intestinos, etc.

Como toda caixa, o abdômen tem suas paredes. Existe uma parede interna, firme, e uma parede externa, frouxa (basicamente gordura e pele).

O “elemento firme” da parede interna é o músculo. Porém nessa caixa existem pontos sem músculo, que são seus “pontos fracos”. Nesses pontos existem aponevroses e fascias, tecidos resistentes que garantem a firmeza da caixa mesmo nos pontos que não tenha músculo. Os pontos fracos mais comuns são o umbigo e as virilhas.

Algumas famílias têm como característica uma deficiência na síntese de colágeno. Essa deficiência leva à fraqueza das aponeuroses e fascias que protegem os pontos fracos e, dessa forma, surgem buracos na estrutura firme do abdômen. Aos buracos na “estrutura firme“ damos o nome de hérnia. Quando a hérnia ocorre na virilha damos o nome de Hérnia Inguinal (essa é a localização mais comum das hérnias).

O conteúdo do abdômen (principalmente os intestinos) se encaixa pelas hérnias e fica recoberto apenas pela parede frouxa, externa (gordura e pele). Essa passagem dos intestinos pela hérnia cria um “caroço mole” que empurra a pele. Geralmente quem tem hérnia costuma empurrar os intestinos, através da pele, para dentro do abdômen. Essa manobra pode ser dolorosa e algumas vezes impossível.

Quando não se consegue devolver o intestino, ocorre o que chamamos Hérnia Encarcerada.

A hérnia encarcerada consiste uma urgência, pois se não for operada pode evoluir para necrose do intestino estrangulado, com peritonite e risco de vida.

O tratamento da Hérnia Inguinal (ou de outra localização) é sempre cirúrgico. Consiste, basicamente, em devolver para o abdômen o intestino que saiu pela hérnia e a seguir, fechar o buraco. Esse fechamento deve ser feito sem tensão em nenhum ponto.

Rotineiramente usamos uma tela de material específico (Marlex ou Prolene) para revestir o defeito. Esse revestimento servirá como molde e suporte para que o paciente fabrique sua própria fascia.

Existem duas formas de colocação da tela na hérnia inguinal:

a) Através de incisão na parede frouxa externa (gordura e pele);

b) Através da videolaparoscopia (sem incisão das estruturas superficiais).

Na nossa clínica preferimos a cirurgia videolaparoscopica, que permite fixar a tela sem danificar as estruturas superficiais, proporcionando ao paciente uma melhor recuperação. Quando introduzimos a ótica, podemos avaliar se existe hérnia na outra virilha e fazer a cirurgia dos dois lados no mesmo tempo cirúrgico. O único inconveniente é o custo dos materiais descartáveis utilizados na herniorrafia inguinal videolaparoscopica (US$ 1000), que muitas vezes torna a cirurgia inviável para o paciente.
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Apendicite

O tubo digestivo é uma longa avenida de 10 metros. Inicia na boca, e segue como esôfago, estômago, duodeno, intestino delgado (jejuno e íleo), intestino grosso (cólon), reto e ânus.

O intestino grosso se divide em Cólon (Direito, Transverso, Esquerdo), Reto e Ânus. No início do Cólon Direito existe um pequeno orifício, que origina uma estreita “rua sem saída” do tamanho e formato de uma “minhoca”. Essa minhoca é chamada de Apêndice Cecal . As fezes que circulam pelo intestino entram e saem dessa minhoca livremente, e geralmente não causam nenhum dano. Mas pode acontecer que uma semente, ou um pequeno caroço, ou um fecalito (pequeno pedaço muito duro de fezes), entre no apêndice e fique “entalado“, entupindo o apêndice. Como em toda víscera, a situação de entupimento tem como reflexo a contração muscular vigorosa, na tentativa de promover a desobstrução. Se o paciente tiver sorte o apêndice consegue devolver a “rolha” para o intestino. Caso o apêndice se mantenha entupido por algumas horas, tem início um quadro de sofrimento, cuja inflamação culmina em abscesso, perfuração e peritonite em 2 ou 3 dias , com grande risco de vida .

O quadro clínico é dor abdominal, principalmente do lado direito, acompanhada, às vezes, de febre e náuseas. Esse quadro clínico é muito semelhante a uma simples intoxicação alimentar, ou a uma dor de ovulação, ou ruptura de pequeno cisto de ovário ,etc .Por isso recomenda-se que qualquer dor abdominal que não passe sozinha em 6 horas, deve ser avaliada por um médico.

Esse quadro de dor abdominal aguda, que leva o paciente a procurar um médico, é chamado de “Abdômen Agudo”, e requer um diagnóstico preciso e precoce. O tempo é o grande inimigo, pois em dois dias a peritonite pode estar instalada e o risco de vida também.

Não existe método diagnóstico que indique com precisão um quadro de apendicite. O exame físico, realizado pelo médico, apenas pode levantar essa suspeita.

Devido aos riscos implicados na apendicite aguda, a suspeita dela já é motivo suficiente para indicar seu tratamento: a cirurgia para retirar o apêndice e limpar o abdômen de possível contaminação. Concomitantemente à cirurgia, faz-se uso de antibióticos.

Essa cirurgia pode ser realizada através de incisão do lado direito do abdômen, ou através da Videolaparoscopia .

Nossa clínica prefere a apendicectomia videolaparoscopica, pelas seguintes razões:

a) Como, através da ótica, temos acesso visual a todo o abdômen, podemos avaliar todas as vísceras e assim fazermos o diagnóstico preciso;

b) Havendo contaminação do abdômen podemos lavá-lo com irrigadores e aspiradores;

c) Todos estes procedimentos (diagnóstico + lavagem + apendicectomia) são realizados com apenas 3 ou 4 túneis de 2,5 mm a 5 mm de raio, ou seja, o acesso causa um dano mínimo.
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